Histórias da Arte: o Barroco na Europa e na América Latina [1-2/16]

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Desde 15/8 estou cursando o “Histórias da Arte: o Barroco na Europa e na América Latina“, realizado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (Masp). As aulas vão até 5/12 e vou publicando as minhas notas aqui até lá. Aula 1 O barroco envolve uma rede de relações e influências mútuas que atravessa o mundo. Portugal levou o gênero ao Japão, e elementos figurativos japoneses aparecem no barroco brasileiro. O “abacaxi”, entre outros temas que foram agregados ao estilo para que fizesse mais sentido aos moradores da América, aparecem também em obras na Europa. Na América, é fundamental a mão de obra indígena na construção das obras do barroco, sob supervisão dos jesuítas. Também o conhecimento botânico dos locais transformou o gênero — os indígenas dispunham de um modo de produzir tinta dourada que caiu como uma luva para os padres. Nesse sentido, foi citada esta referência da época: “Da Grande Habilidade e Aptidão dos Índios“, da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Aula 2 Análise da obra de Gian Lorenzo Bernini, para quem  o barroco consistia em uma arte da combinação, no belo composto. Compreendi que isso se dá pelo entendimento de como as suas esculturas se incluem em cada contexto, como dialogam com outras obras próximas e com os espaços em que se colocam — como as igrejas e a cidade como um todo. Há uma cenografia no seu trabalho de escultor, ele que também trabalhou como cenógrafo de teatro. Funcionam nesse sentido os grupo (obras com mais de uma escultura): o ponto de vista determina a narrativa que ela transmite. Um exemplo é O Rapto de Prosérpina, em que de acordo como nos colocamos, se ressalta mais a potência de Hades, o desespero de Prosérpina, ou a monstruosidade de Cérbero. Neste vídeo da Khan Academy dá pra notar um pouco disso. Outra marca do barroco transparece com magnificência em Bernini: a ideia de “enganar prazerozamente’. A pedra ganha as características da carne (a maciez ), dos tecidos (se amassa, encrespa, afofa) etc. O Rapto de Prosérpina é também um exemplo disso: a mão de Hades na coxa da deusa. Outra é Apolo e Dafne, em que a pedra é gente que se transforma em árvore. Me fascina essa captura de um instante terrivelmente dramático (os exemplos dados são marcados por isso), em que os personagens são tão carregados de tensão que não há a imobilidade da escultura, se forja em uma vibração, algo que contém em si as consequências (podemos avançar imaginariamente por elas) e ao que retornamos porque é a sua fonte ou momento decisivo. — Outras referências citadas: Heirich Wölfflin Propôs o barroco não como um movimento determinado, mas como princípio de evolução dos movimentos artísticos. James Clifford Que afirmou, parafraseio, “os museus são arenas de encontros sociais, não armazéns estáticos de objetos”.

Depoimento de Aracy Amaral no Seminário Arquivos, Mulheres e Memórias

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perfil Encerramento do seminário, pela jornalista, crítica e historiadora da arte Aracy Amaral. Narrativa rica, forte, cheia de personalidade. notas Aracy se diz “viciada em pesquisa” e “ensandecida com a pesquisa” “Eu sou bem década de 1950, que era quando tudo acontecia em São Paulo” Contra estéticas abstratas: “Eu quero dados corretos, concretos, eu quero a obra” Autodefinição: “Eu sou pesquisadora, eu não sou teórica. Eu não tenho teorias, eu apresento os dados” Diagnóstico: hoje há artistas entre aspas: apenas editores, não criam formas Ciclo de vida criativa do artista: na juventude, “o recado mais forte, mais virulento”, desta explosão inicial até uma cristalização ulterior “A única coisa constante na América Latina: a nossa instabilidade” Pisar com o próprio pé: refazia os caminhos percorridos pelos jesuítas a pé, de ônibus, para ver com os próprios olhos as obras arquitetônicas Crítica ao sistema da crítica: publicação em mídias acadêmicas sem repercussão, imposta pelo sistema de pontuação; esquema deletério acesso página do evento