A Serventia da Teoria, para Manuel Castells

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O sociólogo Manuel Castells, em A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura – volume 1: A Sociedade em Rede, descreve os critérios da sua prática:

A relevância de uma teoria social, além do conjunto de provas reunidas para respaldar assuntos específicos, deriva, em última instância, da sua capacidade de explicar a evolução social, tanto na sociedade em geral como em algumas de suas dimensões, ou de, pelo menos, gerar uma interpretação mais fértil do que os arcabouços analíticos alternativos usados para estudar os determinantes e as consequências da ação humana no tempo e no espaço da análise. (p. III)

A justificativa do esforço teórico pela sua potencialidade explicativa, me parece, é um tópico comum da filosofia da ciência. Sendo uma ferramenta, vale pelo que permite fazer. Em um sentido levemente distinto, Castells diz:

Teoria e pesquisa só servem se têm a capacidade de dar sentido à observação de seu objeto de estudo. O valor da pesquisa social não deriva apenas da sua coerência, mas também da sua relevância. Não se trata de um discurso, mas de uma investigação. (…)

Existe um eco claro entre as principais questões da nossa sociedade e as análises escritas há uma década no livro que você está prestes a ler. Se você acha que a abordagem que propus, apesar de todas as suas falhas óbvias, está relacionada à sua experiência, esse é todo o consolo de que este autor necessita para desvanecer em paz. (p. XXIX-XXX)

Nesse trecho, a tarefa é também se comunicar com o universo do leitor; não só explicar o mundo, mas expressar o que as subjetividades particulares perceberam — porém em um arcabouço maior. Dialogar e expandir.

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